terça-feira, agosto 02, 2016

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Apadrinhamento Afetivo - Um Laço de Amor e Carinho



Em novembro de 2010 me inscrevi no programa de apadrinhamento do CEVAM (Centro de voluntariado de apoio ao menor) localizado em Belo Horizonte!


Para quem não sabe, o apadrinhamento afetivo permite acompanhar a vida de uma criança/adolescente em acolhimento institucional dando a ele um convívio familiar até o seu retorno à família de origem ou a inserção em uma família substituta (adoção). Clique AQUI para saber mais! 
Me lembro que quando criança eu fui madrinha de uma menina, mas era diferente, eu apenas mandava uma quantia em dinheiro todo mês para ajudá-la. Quando fiquei sabendo desse programa de apadrinhamento afetivo, achei super legal e tudo a ver comigo. O apadrinhamento é diferente da adoção, mas também é um ator de amor e por isso me encantei tanto!
Bom, voltando a inscrição no Cevam, eu tive que preencher uma ficha e escolher algumas características da criança. As únicas coisas que eu escolhi foram: ser menina e não ter problemas de saúde!
Mas como Deus é quem escreve a nossa história...
Me ligaram do Cevam no dia 23 de dezembro para comunicar que todas as meninas haviam sido apadrinhadas, mas tinha um menino de 3 anos e meio que poderia ser apadrinhado. Sem pensar duas vezes eu disse SIM!!!
 Afinal tudo na vida tem um propósito...
Liguei rapidamente na minha casa para poder contar a novidade para a minha família. Meu pai se dispôs a busca-lo já que eu estava trabalhando. Na volta do abrigo, eles foram direto ao meu trabalho para que eu pudesse conhece-lo, pois eu não estava aguentando de tanta ansiedade! 
Me lembro como se fosse hoje a primeira vez que eu vi o Kaka. Foi amor a primeira vista, meu coração estava transbordando, quase saindo pela boca. E Hoje como mãe da Lelê, eu posso dizer que foi um sentimento que só uma mãe sabe o que é. Ele realmente era um presente de Deus pra mim!
Lembrando que na adoção, a criança se torna filho e os responsáveis passam a ter a guarda. Já o apadrinhamento é um encontro de amizade, de um padrinho/madrinha que será referência na vida das crianças/adolescentes e elas continuam sob a guarda da instituição de acolhimento.
Um apadrinhamento que seria apenas para as festas de final de ano de 2010, se estendeu por alguns anos. Algumas pessoas me questionavam o porque dessa escolha, pois achavam um besteira eu querer uma responsabilidade dessa tão nova. Mas a verdade é que sempre fui apaixonada por isso. Confesso que não foi fácil esse período de apadrinhamento pelos tantos julgamentos que eu recebia. Eu sofria, ficava sem chão, pois vinham de pessoas que faziam parte da minha vida. Eu tenho certeza que se essas pessoas pudessem sentir o que eu sentia com o apadrinhamento, elas não seriam resistentes, egoístas e preconceituosas!


Algumas pessoas achavam que o apadrinhamento era desnecessário, jogavam na minha cara que eu não mudaria o mundo por apadrinhar uma criança. Ou seja, pessoas que não tinham a mesma vontade que eu, o coração aberto e que talvez não acreditavam que o amor possa ser parte da mudança para um mundo melhor!
Engravidei da Ana Letícia em 2013 e tive alguns problemas durante a gestação que me impossibilitavam de busca-lo no abrigo. Contava muito a ajuda do meu pai, ele sempre que podia buscava o Kaka pra mim. Mas quando foi dia 4 de março de 2013 o meu pai faleceu. Fi tudo muito difícil. E para piorar, no final de março suspenderam o apadrinhamento!
Com a suspensão do apadrinhamento eu fiquei desesperada. Esse período longe do Kaka foi muito sofrido. Sentia que faltava um pedaço do meu coração. Foram duas perdas que me desmoronaram. A morte do meu pai e o afastamento do Kaka. Sem dúvidas, foi Deus que me sustentou e me deu forças!
Nas minhas orações sempre pedia a Deus que fizesse o que fosse melhor e que se ele realmente tivesse que ficar comigo que ele trouxesse ele novamente para a minha vida!
E mais uma vez Deus me mostrou o quão poderoso ELE é, e o poder de uma oração!
Em junho de 2016 voltei a ser madrinha afetiva do Kaka e dessa vez com o apoio do meu marido e da minha filha que adora ele. Vocês não imaginam a minha felicidade! 


Hoje ele está com 9 anos, e tenho certeza que ele está muito feliz de volta a minha família. 


Os relatos que recebo são bem positivos. Me emociono em ver que ele se soltou, se desenvolveu bem e se permitiu ser feliz. No período que ele fica na minha casa a nossa rotina é de uma família comum. Ele me ensina muitas coisas: me ensina a ser uma pessoa melhor, lidar com emoções, ser tolerante, dar valor a pequenas coisas, dar mais valor a vida, ser forte e a ser feliz com tão pouco!



Quando me inscrevi a primeira vez para o programa, a psicóloga me perguntou o motivo pelo qual estava querendo apadrinhar e eu respondi que era totalmente por doação. Hoje vejo que eu recebo muito mais! 

Esse mês de agosto me mudo para a Lituânia devido a profissão do meu marido. Mas o que me consola é que por ele estar mais velho, iremos poder nos falar por skype, whatsapp e assim poder matar um pouco da saudade. Mas isso graças a ajuda de educadores que trabalham na instituição que ele mora e que sabem da importância que um tem para o outro. E assim levaremos o apadrinhamento adiante. Coloquei mais uma vez nas mãos de Deus para que tudo corra bem e seja feito sempre o melhor!
E o que eu tenho a dizer para vocês disso tudo é que apadrinhar é um ato de amor, que faz MUITA diferença na vida das crianças e adolescentes, mas faz muito mais na vida de quem apadrinha!





Um comentário:

  1. Parabéns por essa atitude tão grandiosa. Com certeza teríamos um mundo melhor com pessoas tendo a mesma atitude que você. Mais uma vez, parabéns e que Deus te abençoe!!!

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